16 de dez de 2014

Dirigindo Bêbado






 Eu diria que uma das teorias de Prevenção ao Crime é prevenir o crime antes de ele acontecer. Em outras palavras, um homem pode ser punido se dirige bêbado não porque tenha infligido algum dano a outra pessoa e/ou propriedade, mas porque ele é capaz de fazê-lo. E também sou capaz de presumir que a linha que separa o está bêbado do não está bêbado é bastante tênue e que muitas vezes esta linha está muito mais próxima da sobriedade. E ainda que um homem consiga provar, novamente segundo os parâmetros deles, que não estava bêbado, o dano já terá ocorrido, pois ele teve de pagar a fiança e os custos com advogado, sem falar no massacre sobre seus nervos; e a depressão, a preocupação, a surpresa e a perda de tempo também não poderão ser reparadas.
Em outras palavras, por seguir a teoria de que um motorista bêbado possa, em probabilidade, infligir dano e/ou dor, ele acaba preso e multado pesadamente, pois é condenado pelo mal que poderia ter feito. Bem, vamos estender agora esta teoria a outras áreas da vida ativa e já veremos que toda criatura humana deveria ser presa porque cada uma delas pode ser capaz de cometer algum tipo de crime, em maior ou menor grau, contra a sociedade.
Vamos analisar agora o caso de um motorista bêbado que não tenha infligido nenhuma dor/perda – embora ele mesmo tenha sofrido na carne a dor e a perda imposta pela lei sob o nome de justiça. Em outras palavras, a lei inflige dor onde antes não havia dor nenhuma. Além da multa e da cadeia, há ainda a perda da habilitação ou mesmo do emprego desse homem, e muitas vezes se torna difícil encontrar um novo emprego em função a sua “ficha suja”.
Se pretendermos viver num mundo melhor (e quem é suficientemente sofisticado para não desejar algo assim?), a eliminação das dores desnecessárias é um bom começo. Querem dar umas boas risadas? Querem saber o que eu acho que os policiais deveriam fazer com os bêbados? Deveriam leva-los para casa em vez de manda-los para a cadeia. Enfiem os bebuns inveterados debaixo das cobertas, arrumem uma saideira e digam para ficar em casa o resto da noite. Ridículo? Por quê? Pago meus impostos para ser assistido, não molestado. 

Charles Bukowski - Pedaços de um caderno manchado de vinho.

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